quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ao "pé da letra"

É ironia, porra!
Os elementos necessitam de muito exagero porque quando a ironia é muito sutil, o vilão torna-se herói. Pior ainda quando se é um irônico incorrigível, viciado em injeções diárias de ironia para demonstrar, no meu caso, toda a indignação, revolta, sarcasmo, diante de uma situação.

É, leitor. Confesso que utilizar essa figura de linguagem não é fácil (para vocês). É crescente o número de pessoas que captam a mensagem ao “pé da letra”. Assim, o deboche, o sarcasmo, a sátira, a zombaria, são sequestrados e colocados em cativeiro - até morrerem de inanição.

A alimentação da interpretação de texto anda carente de todos os tipos de vitaminas. O principal agente deteriorante é a “falta de tempo”, que explica o motivo de a leitura ser escassa: seja de livros, revistas, jornais ou internet. A rapidez e o dinamismo diário servem como desculpa para a chamada “desatenção”, criando uma enorme bolha dentro da mensagem que tem seu conteúdo entendido de maneira literal.

Nos últimos tempos, o escritor Antonio Prata e o colunista Gregório Duvivier souberam bem como é, ao mesmo tempo, chato e divertido “jogar” com a ironia. Mas, diante da repercussão colossal tiveram que explicar seus textos na semana seguinte. Por isso, não há outro jeito senão avisar o leitor com um pequeno aviso no rodapé que aquele conteúdo, na realidade, é uma ironia. O aviso vale mais que a dor de cabeça posterior e que o aplauso do perdido.

Tristes tempos esses da "modernidade dispersa". 

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