![]() |
| É ironia, porra! |
Os elementos necessitam de muito
exagero porque quando a ironia é muito sutil, o vilão torna-se herói. Pior
ainda quando se é um irônico incorrigível, viciado em injeções diárias de
ironia para demonstrar, no meu caso, toda a indignação, revolta, sarcasmo,
diante de uma situação.
É, leitor. Confesso que utilizar
essa figura de linguagem não é fácil (para vocês). É crescente o número de
pessoas que captam a mensagem ao “pé da letra”. Assim, o deboche, o sarcasmo, a
sátira, a zombaria, são sequestrados e colocados em cativeiro - até morrerem de
inanição.
A alimentação da interpretação de
texto anda carente de todos os tipos de vitaminas. O principal agente
deteriorante é a “falta de tempo”, que explica o motivo de a leitura ser
escassa: seja de livros, revistas, jornais ou internet. A rapidez e o dinamismo
diário servem como desculpa para a chamada “desatenção”, criando uma enorme
bolha dentro da mensagem que tem seu conteúdo entendido de maneira literal.
Nos últimos tempos, o escritor Antonio
Prata e o colunista Gregório Duvivier souberam bem como é, ao mesmo tempo,
chato e divertido “jogar” com a ironia. Mas, diante da repercussão colossal tiveram
que explicar seus textos na semana seguinte. Por isso, não há outro jeito senão avisar o leitor com um pequeno aviso no rodapé que aquele conteúdo, na realidade, é uma ironia. O aviso vale mais que a dor de cabeça posterior e que o aplauso do perdido.
Tristes tempos esses da "modernidade dispersa".
Tristes tempos esses da "modernidade dispersa".

Nenhum comentário:
Postar um comentário