quarta-feira, 10 de julho de 2013

Convida a gente pra dançar. Mas chega de lambada.

Imagem do Jornal do Dia em
http://bit.ly/174Nu4B
Atordoado pelos acontecimentos de junho de 2013 e pelo bombardeamento da grande imprensa, da mídia independente, e das redes sociais, é difícil escrever sobre os últimos 40 dias quando ninguém sabe ao certo qual o ritmo da dança. O período de contestação, no entanto, permanece ativo, e tende a ser explicado por reflexões, estudos aprofundados, livros que certamente vão registrar este momento da história.

A grande vitória do Movimento Passe Livre, verdadeira conquista para os paulistanos, deflagrou uma mala cheia de insatisfações em todo o país. Todos têm a sua. Não se trata mais de R$0,20, e, sim, de demonstrar todo o descontentamento sobre diversos temas, contra algumas instituições públicas e até privadas.

A dissonância atinge a polícia, os políticos em geral e respinga na grande imprensa. De acordo com pesquisa Ibope divulgada pela ONG Transparência Internacional, 81% dos brasileiros consideram os partidos corruptos ou muito corruptos. Segundo o mesmo levantamento, 56% dos cidadãos acreditam que o governo não consegue combater a corrupção. Os números revelaram que os partidos políticos, o Congresso Nacional e a polícia são considerados as instituições mais corruptas do Brasil. A Igreja (33%) e as Forças Armadas (30%) foram às instituições mais bem avaliadas. 

Independente do possível conservadorismo da pesquisa, os resultados são sinais que os pilares da nossa jovem democracia começaram a ruir e necessitam de uma reforma urgente e séria. Os gritos da rua exigem a lavagem da roupa suja de uma vez só, sem amaciante, tirando o atual sistema da sua zona de conforto.

As manifestações atingiram em cheio o sono de alguns políticos - e ainda tira. Caiu batata quente no colo de todos, que ou passavam o problema adiante, ou tentavam cozinhá-lo. Para não voltar muito no tempo, desde 1988 a distância que há entre representados e representantes só aumenta e é tão grande que o grito do cidadão não ressoava. Ou era ignorado. O sistema político polarizado entre PT x PSDB levou uma chacoalhada da força que emergiu das ruas e a resposta tardou. Só apareceu no final do mês. 

Primeiro veio a presidente Dilma Rouseff (PT) que propôs discussão sobre propostas envolvendo responsabilidade social, saúde, transporte público, educação e reforma política. A Constituinte que naufragou em 24 horas, levou consigo o plebiscito que deveria consultar a opinião do povo. Mas já foi afogado pelo Congresso.

As casas legislativas, por sua vez, tentam emplacar o maior número de projetos possíveis até o recesso no dia 17 de julho. O que transforma corrupção em crime hediondo, por exemplo, foi aprovado pelo Senado e encaminhado para apreciação da Câmara. O mesmo acontece com a discussão sobre o fim do voto secreto.

É surpreendente, mas em dez dias o Congresso apreciou 19 projetos que estavam estacionados no Legislativo, empoeirados. A estratégia da “agenda positiva”, como diz os jornais, é clara: votar a maior quantidade de matérias, demonstrando produtividade na tentativa de “abafar” a voz reivindicativa. 

Até o momento avançou o fim do foro privilegiado, a destinação dos royalties do petróleo para saúde (25%) e educação (75%), e foi oficialmente arquivado a PEC 37 (que esvaziava o poder de investigação do Ministério Público) e o projeto apelidado de “cura gay” que previa tratamento psicológico para homossexuais.

Não cabe neste texto destrinchar cada tema (como o erro no clamor pelo arquivamento da PEC sem a discussão adequada), mas pensar na produtividade do Congresso e na reforma política. Com tanto trabalho nas últimas semanas o Legislativo só prova que fazia “corpo mole” perante assuntos de extrema relevância. Estava tudo bem, afinal. Para eles.

As alianças, conchavos, acordos que são naturais na política possuem contornos acentuados, perniciosos, deixando de lado a representação do sufrágio. O voto puro e simples desprovido de uma boa doação para a campanha do político é só mais um número, visto como fundamental no período eleitoral. Só.

O apoio de grandes empresas dita o tom da dança para posteriormente lobistas requebrarem nos gabinetes do Congresso. O paraíso para suplentes, lobistas, políticos de carreira tem que ter um fim e o plebiscito, a consulta ao povo seria a forma ideal para reformar o sistema político ao som de uma dança que todo mundo conhece o ritmo. Qual vai ser?  O povo quer opinar e participar da mudança. Reforma já! Chega de lambada.  


Manifestação sem partidos e a greve geral de 11 de julho

Indignados de plantão, muita calma!

O grito que ecoa das ruas, “sem partidos, sem partidos”, é porta escancarada para um processo anti democrático. Sair as ruas achincalhando bandeiras/partidos faz o jogo de grupos nacionalistas, de extrema direita que só querem desestabilizar e provocar confusão.  

Amanhã, (11) as centrais sindicais prometem parar o país. Mas não unidas em busca propósito único. A CUT deve levantar bandeira relacionada ao PT a favor do plebiscito, além de outras reivindicações, e a Força Sindical, cada vez mais ligada ao PSDB fará movimento contrário. Diversos atos de outros grupos também estão marcados para amanhã, como um contra a Rede Globo, em São Paulo. Enquanto o ritmo em Brasília é lambada, no resto do país se toca um ritmo com sentido - mas ainda fora do compasso.

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