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| Imagem do Jornal do Dia em http://bit.ly/174Nu4B |
Atordoado pelos
acontecimentos de junho de 2013 e pelo bombardeamento da grande imprensa, da
mídia independente, e das redes sociais, é difícil escrever sobre os últimos 40
dias quando ninguém sabe ao certo qual o ritmo da dança. O período de contestação, no entanto, permanece ativo, e tende a ser explicado por reflexões, estudos
aprofundados, livros que certamente vão registrar este momento da história.
A grande vitória
do Movimento Passe Livre, verdadeira conquista para os paulistanos, deflagrou
uma mala cheia de insatisfações em todo o país. Todos têm a sua. Não se trata
mais de R$0,20, e, sim, de demonstrar todo o descontentamento sobre diversos
temas, contra algumas instituições públicas e até privadas.
A dissonância
atinge a polícia, os políticos em geral e respinga na grande imprensa. De
acordo com pesquisa Ibope divulgada pela ONG Transparência Internacional, 81%
dos brasileiros consideram os partidos corruptos ou muito corruptos. Segundo o
mesmo levantamento, 56% dos cidadãos acreditam que o governo não consegue
combater a corrupção. Os números revelaram que os partidos políticos, o
Congresso Nacional e a polícia são considerados as instituições mais corruptas
do Brasil. A Igreja (33%) e as Forças Armadas (30%) foram às instituições mais
bem avaliadas.
Independente do
possível conservadorismo da pesquisa, os resultados são sinais que os pilares
da nossa jovem democracia começaram a ruir e necessitam de uma reforma urgente
e séria. Os gritos da rua exigem a lavagem da roupa suja de uma vez só, sem
amaciante, tirando o atual sistema da sua zona de conforto.
As manifestações
atingiram em cheio o sono de alguns políticos - e ainda tira. Caiu batata
quente no colo de todos, que ou passavam o problema adiante, ou tentavam cozinhá-lo. Para não voltar muito no tempo, desde 1988 a distância que há entre representados e representantes só aumenta e é tão grande que o
grito do cidadão não ressoava. Ou era ignorado. O sistema político polarizado entre PT x PSDB levou uma chacoalhada da força que emergiu das ruas e a resposta tardou. Só apareceu no final do mês.
Primeiro veio a
presidente Dilma Rouseff (PT) que propôs discussão sobre propostas envolvendo
responsabilidade social, saúde, transporte público, educação e reforma
política. A Constituinte que naufragou em 24 horas, levou consigo o plebiscito que
deveria consultar a opinião do povo. Mas já foi afogado pelo Congresso.
As casas
legislativas, por sua vez, tentam emplacar o maior número de projetos possíveis
até o recesso no dia 17 de julho. O que transforma corrupção em crime hediondo,
por exemplo, foi aprovado pelo Senado e encaminhado para apreciação da Câmara. O
mesmo acontece com a discussão sobre o fim do voto secreto.
É surpreendente,
mas em dez dias o Congresso apreciou 19 projetos que estavam estacionados no
Legislativo, empoeirados. A estratégia da “agenda positiva”, como diz os
jornais, é clara: votar a maior quantidade de matérias, demonstrando
produtividade na tentativa de “abafar” a voz reivindicativa.
Até o momento
avançou o fim do foro privilegiado, a destinação dos royalties do petróleo para
saúde (25%) e educação (75%), e foi oficialmente arquivado a PEC 37 (que
esvaziava o poder de investigação do Ministério Público) e o projeto apelidado
de “cura gay” que previa tratamento psicológico para homossexuais.
Não cabe neste
texto destrinchar cada tema (como o erro no clamor pelo arquivamento da PEC sem
a discussão adequada), mas pensar na produtividade do Congresso e na reforma
política. Com tanto trabalho nas últimas semanas o Legislativo só prova que
fazia “corpo mole” perante assuntos de extrema relevância. Estava tudo bem,
afinal. Para eles.
As alianças,
conchavos, acordos que são naturais na política possuem contornos acentuados, perniciosos,
deixando de lado a representação do sufrágio. O voto puro e simples desprovido
de uma boa doação para a campanha do político é só mais um número, visto como
fundamental no período eleitoral. Só.
O apoio de
grandes empresas dita o tom da dança para posteriormente lobistas requebrarem
nos gabinetes do Congresso. O paraíso para suplentes, lobistas, políticos de
carreira tem que ter um fim e o plebiscito, a consulta ao povo seria a forma
ideal para reformar o sistema político ao som de uma dança que todo mundo
conhece o ritmo. Qual vai ser? O povo
quer opinar e participar da mudança. Reforma já! Chega de lambada.
Manifestação sem
partidos e a greve geral de 11 de julho
Indignados de plantão, muita calma!
O grito que ecoa
das ruas, “sem partidos, sem partidos”, é porta escancarada para um processo anti democrático. Sair
as ruas achincalhando bandeiras/partidos faz o jogo de
grupos nacionalistas, de extrema direita que só querem desestabilizar e provocar confusão.
Amanhã, (11) as
centrais sindicais prometem parar o país. Mas não unidas em busca propósito único. A CUT deve levantar bandeira relacionada ao PT a favor do
plebiscito, além de outras reivindicações, e a Força Sindical, cada vez mais
ligada ao PSDB fará movimento contrário. Diversos atos de outros grupos também
estão marcados para amanhã, como um contra a Rede Globo, em São Paulo. Enquanto
o ritmo em Brasília é lambada, no resto do país se toca um ritmo com sentido - mas ainda fora do compasso.
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