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| Imagem retirada emhttp://bit.ly/1aMlKr9 |
Sábado de manhã com sol e logo cedo
o carroceiro fazia sua peregrinação diária.
Resolvi abordá-lo.
Simpático e educado, ele aceitou
meu convite e veio lentamente empurrando seu instrumento de trabalho para
recolher papelão, utensílios, e madeira em minha casa - há duas quadras de distância.
Segui pela calçada e o carroceiro pelo canto da via (na contramão) quando se
aproximou uma super máquina, com seu motor possante, vidros escuros, desfilando
seu ar suntuoso.
Na calmaria do
fim de semana, o automóvel tinha asfalto livre a perder de vista, e mesmo com espaço
de sobra para fazer a curva, o motorista fez questão de realizar uma manobra fechada,
raspando no carroceiro.
Logo à frente, o
carro parou.
Dentro do aparelho
móvel de quatro rodas, confortabilíssimo, eis que a porta se abre e saí um
homem. Sim, mesmo com a visão prejudicada pelo sono da primeira hora do dia,
percebi que era um ‘homo sapiens’ e não um robô.
Revoltado, o
motorista desceu do carro fazendo gestos ofensivos, gritando com o carroceiro,
que por sua vez, permaneceu estático, sem reação. Ao verificar que estava “tudo
bem” com sua máquina possante, o homem de aproximadamente 35 anos, careca, de óculos
escuros bateu a porta do carro e foi embora. Certamente, se pudesse, mandaria
prender aquele “vagabundo” (proferiu isso em voz alta), para que não existisse
mais o risco de tocar em sua máquina - que só falta voar.
É o típico motorista que vive em
sua ilha de aconchego rodeado de “tubarões”. O cara odeia táxis, ônibus, motociclistas,
ciclistas, e não nega seu desejo de possuir uma via exclusiva para automóveis,
pagando menos IPVA, é claro. Faixa de ônibus na Marginal Pinheiros ou outras
via, “aff”, é coisa do “PT + CET”. Carroceiro então, nem deveria existir no trânsito,
afinal, “esses caras não querem trabalhar”, e só atrapalham o tráfego de quem vai ao trabalho.

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