Dentro do Plano de Metas que deverão ser executadas na cidade de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) incluiu os
ciclistas e anunciou 400 km
de vias para bicicletas. O crescimento do uso das ‘magrelas’ como meio de
transporte tornou o tema obrigatório na agenda dos municípios da região
metropolitana.
Na capital paulista, que tem somente 60 Km de ciclovias (fora dos
parques), pedalar é uma aventura constante, que exige, além da disposição
natural, muita concentração, consciência do espaço ocupado, e técnica.
No Código Brasileiro de Trânsito, que
antes de tudo enaltece a segurança de todos os atores envolvidos no trânsito, a
bicicleta é um veículo e compete ao poder público ‘promover o desenvolvimento da
circulação e segurança dos ciclistas’, para assim, criar uma infra-estrutura
ciclo viária. Mas infelizmente, nada disso é levado a sério. Ou era, espero. O executivo municipal em São Paulo já demonstrou vontade política para mudar essa situação. E os ciclistas, anseiam por esta inclusão.
Pedalo constantemente desde 1998, em São Paulo , na zona sul /
região central, e a realidade das ruas é dura. Ao ocupar o meio da faixa da
direita na rua, o ciclista muitas vezes não é respeitado - sendo pressionado
por outros veículos, principalmente em grandes avenidas. Com isso, na
ultrapassagem, é normal o motorista passar ‘raspando’ no ciclista, que acaba ‘espremido’
entre a rua e a calçada, ação que gera perigo para uma queda. Com o semáforo
verde para o motorista, eis outro dilema para o ciclista em grandes avenidas,
assim como pedalar reto em vias com cruzamentos, em que os carros dobram a
direita.
Na hora do ‘rush’ então, salve-se quem
puder! Em meio ao congestionamento, ninguém respeita ninguém dentro da ‘selva
de concreto’, e com todos os ‘bichos’ disputando espaço de um lado para outro,
de maneira frenética, a corda às vezes estoura para o mais frágil. É uma
verdadeira batalha que pune severamente o mais fraco. No ano passado, 52
pessoas morreram pedalando na cidade. Em 2011, foram 49. O empréstimo de
bicicletas – que aumentou muito o uso – preocupa ainda mais.
O investimento da prefeitura nas
últimas administrações foi pífio e demonstrou falta de planejamento. Não
facilita o percurso do ciclista vias que não se ligam, que não são ‘estratégicas’
para o trajeto. Nesse sentido, o que os ciclistas esperam da gestão Haddad, é a
concretização deste plano de 400
km de ciclovias. Medidas paliativas não adiantam. A cidade já possui muitas ‘ciclofaixas’,
que são muito interessantes, bacanas, porém, voltadas ao lazer.
São Paulo necessita de vias permanentes
e exclusivas para o veículo do futuro que na verdade, sempre esteve aí, aos
olhos de todos, ao alcance de todos. Para complementar a política de
mobilidade, o metrô e os trens da CPTM (competência do Governo do Estado) precisam
comportar os ciclistas em seu funcionamento normal, todos os dias da semana. Essa
mudança dependerá da boa relação da prefeitura com o Estado – lembrando que
Haddad não repassará nenhum centavo ao metrô, como fez o seu antecessor,
Gilberto Kassab (PSD). Não é uma crítica, apenas mera constatação de um
ciclista que já passou por tombos e alegrias entre muitas histórias em cima de uma
bicicleta nessa cidade caótica, no entanto, maravilhosa.
Audiências
A prefeitura de
São Paulo está convidando a população a participar das audiências públicas
sobre o Programa de Metas 2013/2016 estabelecido por Haddad. As reuniões
acontecerão por toda a cidade entre os dias 13 e 20 de abril, nas
subprefeituras, com a data de acordo com a região. No dia 30 de abril haverá
audiência geral na Câmara Municipal. Confira o calendário no site da ‘Rede Nossa São Paulo’, e leve sua ciclo-demanda.

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