sexta-feira, 12 de abril de 2013

O ciclista só pede inclusão e respeito


         
        Dentro do Plano de Metas que deverão ser executadas na cidade de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) incluiu os ciclistas e anunciou 400 km de vias para bicicletas. O crescimento do uso das ‘magrelas’ como meio de transporte tornou o tema obrigatório na agenda dos municípios da região metropolitana.

        Na capital paulista, que tem somente 60 Km de ciclovias (fora dos parques), pedalar é uma aventura constante, que exige, além da disposição natural, muita concentração, consciência do espaço ocupado, e técnica.

        No Código Brasileiro de Trânsito, que antes de tudo enaltece a segurança de todos os atores envolvidos no trânsito, a bicicleta é um veículo e compete ao poder público ‘promover o desenvolvimento da circulação e segurança dos ciclistas’, para assim, criar uma infra-estrutura ciclo viária. Mas infelizmente, nada disso é levado a sério. Ou era, espero. O executivo municipal em São Paulo já demonstrou vontade política para mudar essa situação. E os ciclistas, anseiam por esta inclusão. 

         Pedalo constantemente desde 1998, em São Paulo, na zona sul / região central, e a realidade das ruas é dura. Ao ocupar o meio da faixa da direita na rua, o ciclista muitas vezes não é respeitado - sendo pressionado por outros veículos, principalmente em grandes avenidas. Com isso, na ultrapassagem, é normal o motorista passar ‘raspando’ no ciclista, que acaba ‘espremido’ entre a rua e a calçada, ação que gera perigo para uma queda. Com o semáforo verde para o motorista, eis outro dilema para o ciclista em grandes avenidas, assim como pedalar reto em vias com cruzamentos, em que os carros dobram a direita.   

        Na hora do ‘rush’ então, salve-se quem puder! Em meio ao congestionamento, ninguém respeita ninguém dentro da ‘selva de concreto’, e com todos os ‘bichos’ disputando espaço de um lado para outro, de maneira frenética, a corda às vezes estoura para o mais frágil. É uma verdadeira batalha que pune severamente o mais fraco. No ano passado, 52 pessoas morreram pedalando na cidade. Em 2011, foram 49. O empréstimo de bicicletas – que aumentou muito o uso – preocupa ainda mais.  
  
        O investimento da prefeitura nas últimas administrações foi pífio e demonstrou falta de planejamento. Não facilita o percurso do ciclista vias que não se ligam, que não são ‘estratégicas’ para o trajeto. Nesse sentido, o que os ciclistas esperam da gestão Haddad, é a concretização deste plano de 400 km de ciclovias. Medidas paliativas não adiantam. A cidade já possui muitas ‘ciclofaixas’, que são muito interessantes, bacanas, porém, voltadas ao lazer.

        São Paulo necessita de vias permanentes e exclusivas para o veículo do futuro que na verdade, sempre esteve aí, aos olhos de todos, ao alcance de todos. Para complementar a política de mobilidade, o metrô e os trens da CPTM (competência do Governo do Estado) precisam comportar os ciclistas em seu funcionamento normal, todos os dias da semana. Essa mudança dependerá da boa relação da prefeitura com o Estado – lembrando que Haddad não repassará nenhum centavo ao metrô, como fez o seu antecessor, Gilberto Kassab (PSD). Não é uma crítica, apenas mera constatação de um ciclista que já passou por tombos e alegrias entre muitas histórias em cima de uma bicicleta nessa cidade caótica, no entanto, maravilhosa.

Audiências

        A prefeitura de São Paulo está convidando a população a participar das audiências públicas sobre o Programa de Metas 2013/2016 estabelecido por Haddad. As reuniões acontecerão por toda a cidade entre os dias 13 e 20 de abril, nas subprefeituras, com a data de acordo com a região. No dia 30 de abril haverá audiência geral na Câmara Municipal. Confira o calendário no site da ‘Rede Nossa São Paulo’, e leve sua  ciclo-demanda.


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