sexta-feira, 5 de abril de 2013

PSDB em busca de unidade partidária

Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra
 Confusão no ninho tucano. O PSDB precisa parar com as bicadas internas para ter alguma chance em 2014. No entanto, para buscar a unidade partidária, o nome da vez, Aécio Neves, necessita de apoio das bases paulistas para se solidificar como candidato que buscará interromper os dez anos de governo do PT. 

         Desde que desceu a rampa do Planalto no final de 2002, o PSDB nunca mais se entendeu. Naquela ocasião, José Serra buscou o afastamento de sua campanha com a imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Pegou mal. 

       A segunda bicada que mexeu com os ânimos foi entre José Serra e Geraldo Alckmin, que ficou evidente em 2006. Desde então, 'alckmistas' e 'serristas' não se toleram. Naquela eleição também ficou evidente que Aécio não se esforçou para ajudar a reforçar o nome de Alckmin no Estado.

       Quatros anos depois, Serra bateu de frente com Aécio - que já almejava disputar o executivo. Dessa forma, o mineiro se afastou e disputou o Senado. A derrota de Serra para Dilma Rouseff (PT)  em 2010 enfraqueceu o nome de Serra, que sofreu ainda mais danos ao perder a prefeitura de São Paulo para Fernando Haddad (PT) no ano passado. Com isso, Serra diminuiu seu espaço, mas não sua importância. 

        A indicação natural do senador Aécio Neves para a presidência nacional do PSDB, e para concorrer à presidência da República, necessita desse apoio. E Aécio, sabe. Os dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais tem fundamental valia para a candidatura ganhar corpo e vigor.

        Por isso,  Aécio se movimentou rapidamente em conversas com Geraldo Alckmin e até fez estabeleceu diálogo com Serra. Sem sucesso. O governador, no entanto, percebeu que também necessitará de apoio para sua reeleição no estado de São Paulo, e já é visto ao lado do mineiro. Mas o empenho do paulista será o mesmo que o mineiro empreendeu em 2006, quando Alckmin era candidato a presidência? A relação  entre o mineiro e as bases paulistas até deverá terminar de mãos dadas em palanques. Porém, ao final do encontro do PSDB paulista (31/3) que também contou com a presença de Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin (Serra não compareceu), o deputado estadual Orlando Morando definiu bem como deve funcionar as engrenagens tucanas, caso Aécio seja confirmado como candidato ao Planalto. "Nós temos a obrigação de retribuir a Aécio o apoio que ele deu a Alckmin, em 2006, e a Serra, em 2010", ironizou o parlamentar.

Projetos 

        Não adianta Aécio Neves se tornar o presidente nacional do PSDB, correr o país sob essa função, conseguir a unidade partidária com a coesão antecipada do PSDB em torno de seu nome se os tucanos não apresentarem um projeto para o país.

      Nos últimos anos, o discurso do PSDB é baseado em criticar o governo petista. Velhos caciques reclamam de um lado, outros nomes protestam de outro. Lula para cá, Dilma para lá. É 'Mensalão' na Terra e no Céu, sempre imputando ao PT a condição de único partido corrupto em nosso sistema político, esquecendo o próprio mensalão mineiro. Ok. Maledicência e análises a parte, onde estão as soluções que visam beneficiar o país? O desafio do PSDB é expor que tem propostas concretas para o Brasil, para enfim, oxigenar as ideias do Executivo após dez anos de governo petista.

Serra de saída?

        Por conta da lei de fidelidade partidária, os quadros políticos têm até o início de outubro para trocar de partido. As movimentações em busca de nomes para reforçar as agremiações andam a corda toda. O PPS é uma das siglas que deixou claro suas ambições em âmbito nacional. Para isso, já cogitaram Marina Silva (rede), caso ela não consiga oficializar seu novo partido a tempo da disputa; e José Serra, que perdeu espaço no PSDB, após ser derrotado por Fernando Haddad, em São Paulo.

       Outro provável destino para o tucano poderia ser o PSD, de Kassab. Porém, a flutuação do pessedista em torno de Dilma Rouseff (PT), Eduardo Campos (PSB), além do desgaste entre Serra e Kassab (claro em 2012), afastam essa possibilidade. Até aqui, o rumo de Serra é incerto, mas muito esperado.

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