quarta-feira, 17 de abril de 2013

Contradições correntes por aí


         Não sou o dono da verdade, pelo contrário, longe disso. Este texto somente faz uma reflexão/análise (sem caráter científico) sobre alguns comportamentos que observo diariamente na internet e no contato pessoal. São modos de agir que contém contradições e preconceitos velados. Veja a seguir:


O sujeito repudia qualquer ação racista perante a sociedade, mas dentro de casa diz que a parede de sua sala não foi bem pintada, portanto, diz que foi um ‘serviço de preto’.

Exige a saída do deputado Marco Feliciano (PSC) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, por conta de suas declarações homofóbicas e racistas, entretanto, em jogos de futebol envolvendo o São Paulo, é ‘bambi’, para cá, ‘viado’ para lá, expressões muitas vezes utilizadas em tom pejorativo.

Afirma de maneira contundente que não participa do processo eleitoral para eleger nossos representantes (afinal alguém tem que fazer esse papel), porém, critica todas as instituições de forma generalizada e a ‘ignorância’ do povo – de que acha não fazer parte pelo seu intelecto desenvolvido. Ora, se foi omisso na escolha, agora reclama?

É o conceito de que tudo é pior no Brasil. Claro que temos graves problemas (de morosa e complicada solução em relação a países da Europa, por exemplo), todavia, para muitos, as dificuldades existem somente por aqui. Só em nosso país temos péssimos políticos que não tem jeito, corrupção, obras paradas, burocracia.    

Voltando, o cidadão aplaude em pé a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) (sem entrar no méritos partidários ou de decisões), contudo, não sabe explicar em que consistiu o ‘Mensalão’, e muito menos a teoria do ‘domínio do fato’, utilizado pelo relator do caso, Joaquim Barbosa para condenar os dois principais petistas envolvidos (Dirceu e Genoíno). 

Em muitos casos, é o mesmo sujeito que lê as manchetes dos principais jornais e as toma como ‘verdades únicas’. Pronto, mais uma opinião formada sem quase nenhuma leitura, sem o natural cruzamento das informações consumidas. É uma espécie de fast-food da notícia, onde se leva um lanche gorduroso, sem guardanapo, para ser inserido rápido em meio ao dia corrido.

Outra fonte de informação fidedigna são as fotos/notícias do facebook, compartilhadas em correntes promovendo a desinformação e o ódio generalizado ao Legislativo e ao Executivo. Maçã boa, maçã podre. Isso tem em todo lugar.

Repudia e xinga infratores no trânsito por pararem em fila dupla, no entanto, se for para buscar o filho na escola, tudo bem. É rapidinho, e por uma causa maior. O mesmo pensamento serve para a vaga destinada a pessoas com necessidades especiais. “Parei somente por uns minutinhos”.

Reclama dos alagamentos nas ruas, em sua casa, mas esquece que aquele lixo no cantinho, ou a série de bitucas de cigarro jogados na rua contribuem e muito para o problema.

Ao ‘bater’ o olho no texto superficialmente, xinga este blogueiro e outros blogs, (isso fora os sites de notícias) com comentários agressivos, que tentam desqualificar o texto de qualquer forma, despejando todo o preconceito velado através da ‘identidade oculta’ que a internet propicia. É o anonimato virtual que exprime o que não se expressa naturalmente na sociedade. 

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