É necessário se posicionar diante da crise política que pressiona nossa jovem democracia. Não defendo o governo conservador da presidente Dilma Rousseff (PT). Longe disso. Mas defendo seu mandato em nome do cumprimento da regra do jogo. Escrevi no DR (25) sobre o acalorado e espinhoso assunto.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
O impeachment e a regra do jogo
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terça-feira, 17 de março de 2015
Jovem democracia no Brasil acumula 70 pedidos de impeachment em 21 anos
Nossa
democracia está no ensino médio do ensino público paulista. Vejamos: Fernando
Henrique Cardoso (PSDB) obteve, em duas gestões, 17 requisições de impeachment.
Lula, nos dois mandatos a frente do Planalto acumulou 34 pedidos de
impedimento. Dilma, até hoje, coleciona 19 solicitações de deposição, sendo 5 requerimentos em três meses de governo. Tentamos colocar ponto final numa
administração 70 vezes desde 1994, quando se consolidou a polarização. Qualquer
crise em gestão é berreiro certo do outro lado. Terceiro turno.
O Instituto Datafolha
revelou hoje que 82% dos manifestantes que estiveram na avenida Paulista no dia 15 de março votaram em Aécio Neves (PSDB) para presidente
no primeiro turno. Mas o “Fora PT” já foi “Fora PSDB”. É só lembrar o protesto
contra FHC realizado em Brasília no ano de 1999. A organização dos eventos
marca a diferença entre os dois momentos: o primeiro foi mobilizado por um
partido político, o PT; o segundo foi arquitetado por grupos não filiados
reunidos pelas redes sociais. A motivação, entretanto, é a mesma. Tirar o
partido que está no poder para o bem do Brasil. Para melhorar a minha vida e a
sua. Dessa maneira, a democracia só vale se meu grupo político vencer.
Estamos
construindo uma cultura democrática que forma oposições rasteiras. Precisamos aprender a perder. Respeitar o
outro lado. Não é um atalho fácil tirar um governo do qual não gostemos. Quem
perdeu as eleições têm, na democracia, que se preparar para a próxima disputa enquanto faz campanha. Acompanhar, criticar, sugerir, mobilizar por uma causa. Que tal reforma política? Ou plebiscito para instituição do parlamentarismo? Com esse regime fica mais fácil destituir um presidente. Assim como o parlamento. Ora, brigar pelo que acredita é muito importante.
Mas não sejamos levianos, como já disse o poeta. Impeachment só vai para frente com embasamento
jurídico, provas. Vamos deixar o achismo, o quem sabe, de lado. A
democracia precisa passar de estágio, evoluir, solidificar uma cultura política
que estabeleça diálogo permanente por mais contraditórias que sejam as visões.
Fonte: Estadão
Fonte: Estadão
sábado, 5 de outubro de 2013
Um Eduardo incomoda muita gente. E com a Marina incomoda muito mais.
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| Marina Silva e Eduardo Campos Foto: Eduardo Braga/FolhaPress |
Sem êxito na
criação da Rede Sustentabilidade, a ex-senadora Marina Silva decidiu ingressar
no PSB, consolidando-se como terceira via para o pleito de 2014. É, sem sombra
de dúvida, uma grande vitória para o presidente da sigla Eduardo Campos, que
acabou com uma aliança histórica com o PT, aproximando-se e atraindo nomes da
oposição em um processo de realinhamento do partido.
A novidade não
configura, no entanto, um bom cenário para Aécio Neves (PSDB) que pode ficar de
fora do segundo turno, este sim, assegurado. O capital de 20 milhões de votos
adquiridos em 2010 por Marina deve levar a disputa para uma segunda etapa desde
que a ex-senadora seja a cabeça na chapa puro sangue. É um cenário arriscado
para Campos, porém Marina deve projetar a sigla enquanto cria sua Rede. Difícil crer nessa hipótese dadas as claras e legítimas ambições de Campos. Grande
parte da população não vota em partidos, mas sim em nomes. Nisso , é certo
que os dois quadros devem bater de frente na eleição de 2018 e, por isso, não
encaixam na mesma engrenagem por muito tempo.
O grupo
governista, por sua vez, deve estar coçando a cabeça e fritando os miolos.
Marina representa grande peso nas urnas e Campos têm muita representatividade
em sua base, o que pode levar o PT a perder votos importantes e fundamentais no
Nordeste. O cenário em condições de igualdade dependerá muito do desempenho da
economia e dos reflexos do julgamento do mensalão, o que se mostrou inócuo na
vitória de Fernando Haddad (PT) em São Paulo. João Santana deve estar repensando a "antropofagia de anões", expressão que utilizou para comentar a eleição de 2014 em que crava vitória de Dilma no primeiro turno. A entrevista com o marqueteiro está disponível na Revista Época desta semana.
Com o discurso
de “novas idéias e práticas políticas” Campos e Marina tem como alvo acabar com
a polarização PT x PSDB. É possível. A argumentação marinista, entretanto, não
cola. A Rede nascia dizendo: “somos diferentes”, com a promessa de não
compactuar com a ‘mesmice’ política, de não entrar no ‘establishment’. A realpolitk, porém, tem gosto amargo e
Marina deve saber bem disso agora. Segundo Marina, sua decisão levou em conta
quebrar a polarização existente no país. Com isso, conversas com o PPS de
Roberto Freire já ganham corpo. A opção de Marina no fechamento das portas da
filiação partidária (hoje) demonstra a confiança do projeto de uma ‘nova
oposição’ em confronto direto com o esgotamento do lulismo – que ainda tem
muito fôlego nas urnas. Vai ser interessante.
Rede
Ficou difícil
pensar, argumentar, analisar, conversar sobre a decisão do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) que barrou a Rede. Em qualquer indicação a favor do TSE, não
demorava pra ser taxado de governista, reduzindo a discussão ao ponto zero. A
estranheza partiu da aprovação do PROS e do ‘Solidariedade’, partidos que
incharam ainda mais o quadro político: são 32 legendas ativas e mais 25
esperando o aval do Tribunal. O provável casuísmo que ajudaria a tirar Marina
Silva do páreo perde força, no entanto, ao analisar o tempo que as novas siglas
vêm tentando o registro. O PROS, Partido Republicano da Ordem Social é
construído desde 2006. O ‘Solidariedade’, de Paulinho da Força, desde 2008.
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