sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A crença antipetista


Escrevi sobre a crença antipetista no jornal Diário Regional do último domingo (23). Segue na íntegra.




terça-feira, 25 de agosto de 2015

Bem vindos ao Absurdistão

Caverna de Platão fica no
Absurdistão
Acessórios, roupas na mala, passagem na mão, boa vontade e a viagem está preparada. O destino é o Absurdistão, local que um dia pode reivindicar o status de Estado. Por hora isso não ocorre porque suas fronteiras não existem. Em tempos de crise, aumenta o número de pacotes para o lugar e diversos turistas revelam o desejo de retornar ou até se fixar de vez na região. 

O Absurdistão ficou famoso por reunir uma parcela de indignados que não suportam os desvios éticos e morais que acontecem por aí. Revoltados, os indivíduos que habitam o Absurdistão enxergam os problemas e ações ocultas na sociedade como um todo. Foram eles que denunciaram a entrada de haitianos para votar em massa na presidente Dilma Rousseff. 

O raciocínio é claro como o dia: tudo é parte de um plano maior. Os haitianos se juntaram aos médicos cubanos na tentativa de “preparar o terreno” para o golpe comunista que se avista e que foi planejado no Foro de São Paulo há duas décadas. Claro que tudo vem sendo arquitetado por jornais - que se alinham ao regime que já matou milhões na União Soviética e Cuba - e por bancos -, como aquele que empresta bicicletas laranjas.

Inclusive, as ciclovias superfaturadas em São Paulo foram pintadas de vermelho para o momento da ação militar. Trata-se de uma espécie de ponto de encontro para reunir o PCC, braço armado do partido; os haitianos e cubanos; e o exército do Stédile e a CUT que falou semana passada em pegar armas. 
  
Vale lembrar, contudo, que existe um grupo minoritário no Absurdistão que bate de frente com esse ideário. Por lá, acredita-se piamente que os Estados Unidos estão por trás das manifestações no Brasil contra a presidente da República. Diferentemente da visão do avanço do comunismo esquerdopatafreakzoid, explica-se que às concessões que um partido de “esquerda” faz ao neoliberalismo fazem parte da realpolitik. É assim porque tem que ser, ora.  

Welcome to Absurdistão. Bem vindo ao Absurdistão. Aqui, se o cidadão de bem pecar pelo exagero, não há problema nenhum.  

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Me ajuda aí, ô


Um diálogo entre dois homens no balcão de uma padaria. O primeiro, de olho no jornal, comentava as notícias em voz alta. O segundo, tomando café com leite, logo interagiu.

— Olha que boa notícia! O Datena vai se candidatar a Prefeitura de São Paulo. Ah, ele tem meu voto. A segurança vai melhorar com certeza.
— Será?
— Sem dúvida. Datena é um cara correto, vai aumentar o efetivo da Polícia Militar rapidinho, colocar a Rota na rua de novo, como era antigamente. Vai ter polícia na sombra de bandido em todo lugar.
— Mas a Polícia Militar e Polícia Civil respondem ao Governo do Estado, portanto, ao governador Geraldo Alckmin. O município manda na Guarda Civil Metropolitana.
— Isso não importa. Veja, o Delegado Olim será o vice do Datena. Aposto que o governador deverá até apoiar, realizando uma grande aliança para recuperar a paz na cidade e lavar o lodo da corrupção.
— Amigo, o PSDB deve ter candidato próprio.  E o Datena vai se filiar ao PP, partido de Paulo Maluf, legenda que é recordista em número de integrantes na Operação Lava Jato.
— Não sou seu amigo. Você é petista! Eu sabia. É por isso que a cidade de São Paulo está insegura e cada vez pior.

terça-feira, 17 de março de 2015

Jovem democracia no Brasil acumula 70 pedidos de impeachment em 21 anos

Nossa democracia está no ensino médio do ensino público paulista. Vejamos: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) obteve, em duas gestões, 17 requisições de impeachment. Lula, nos dois mandatos a frente do Planalto acumulou 34 pedidos de impedimento. Dilma, até hoje, coleciona 19 solicitações de deposição, sendo 5 requerimentos em três meses de governo. Tentamos colocar ponto final numa administração 70 vezes desde 1994, quando se consolidou a polarização. Qualquer crise em gestão é berreiro certo do outro lado. Terceiro turno. 
O Instituto Datafolha revelou hoje que 82% dos manifestantes que estiveram na avenida Paulista no dia 15 de março votaram em Aécio Neves (PSDB) para presidente no primeiro turno. Mas o “Fora PT” já foi “Fora PSDB”. É só lembrar o protesto contra FHC realizado em Brasília no ano de 1999. A organização dos eventos marca a diferença entre os dois momentos: o primeiro foi mobilizado por um partido político, o PT; o segundo foi arquitetado por grupos não filiados reunidos pelas redes sociais. A motivação, entretanto, é a mesma. Tirar o partido que está no poder para o bem do Brasil. Para melhorar a minha vida e a sua. Dessa maneira, a democracia só vale se meu grupo político vencer. 
Estamos construindo uma cultura democrática que forma oposições rasteiras. Precisamos aprender a perder. Respeitar o outro lado. Não é um atalho fácil tirar um governo do qual não gostemos. Quem perdeu as eleições têm, na democracia, que se preparar para a próxima disputa enquanto faz campanha. Acompanhar, criticar, sugerir, mobilizar por uma causa. Que tal reforma política? Ou plebiscito para instituição do parlamentarismo? Com esse regime fica mais fácil destituir um presidente. Assim como o parlamento. Ora, brigar pelo que acredita é muito importante. Mas não sejamos levianos, como já disse o poeta. Impeachment só vai para frente com embasamento jurídico, provas. Vamos deixar o achismo, o quem sabe, de lado. A democracia precisa passar de estágio, evoluir, solidificar uma cultura política que estabeleça diálogo permanente por mais contraditórias que sejam as visões.

Fonte: Estadão