quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Brasil pode "mais", pode ser "melhor", e a criatividade dos bordões também

Dilma, Marina, Aécio e Eduardo 
A campanha antecipada para a presidência da República em 2014 já mostra as caras nas inserções comerciais em rádio/televisão  e  na imprensa. Os possíveis postulantes ao pleito Dilma Roussef (PT), Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede – ainda não criada oficialmente) aproveitam para mostrar suas idéias para o Brasil em qualquer oportunidade - mas, como se fosse uma corrida de automóveis em circuito oval. Todos na marcha lenta. O espaço deveria ser reservado à propaganda político partidária e não à propaganda de candidato eletivo. A veiculação de propaganda eleitoral só será permitida após o dia 5 de julho do ano que vem. Neste período,  o PT foi o único partido acusado pela Procuradoria Geral Eleitoral de fazer campanha antes do tempo estabelecido. Caso seja acatado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido pode ser punido com cassação do direito de transmissão de propaganda eleitoral em bloco, além de multa. Assim, o TSE  faz vista grossa para a antecipação das outras agremiações, e a vida continua. Em círculos.  No entanto, na disputa prematura, os bordões semelhantes chamam a atenção.

A presidente Dilma Rouseff, que busca a reeleição, diz que “é possível fazer bem mais”. O favorito e provável nome do PSDB, Aécio Neves, preconiza que “é possível fazer melhor”. No ‘box’ do PSB, Eduardo Campos deu fortes indícios que iria se desgarrar do governo, e deve fazê-lo gradualmente. Atualmente, pisou no freio. Porém, anteriormente, o governador de Pernambuco enfatizou que “é possível fazer mais”. Marina Silva, por sua vez, corre atrás do registro do seu partido, a 'Rede', até outubro. Este é o prazo final para a sigla, ou qualquer outra, conseguir se oficializar perante o TSE - visando às eleições em 2014. Uma verdadeira maratona para a ex-verde, que juntou o bordão de Aécio e Dilma em um só. “É possível fazer mais e melhor”. Isso sem esquecer de José Serra, que em 2010, proclamava: “O Brasil pode mais”. Visionário. Perfeito. 

O otimismo tem que ser mesmo o carro chefe da ‘campanha’, elemento básico para o governante ganhar a confiança do eleitor. Da mesma maneira, o eleitor quer bons planos de governo - que mostrem uma boa direção para o país nos próximos anos. E para apresentar as idéias, nada melhor que discussões saudáveis, que sejam prósperas para o país. Tudo muito difícil quando não se tem nem originalidade para colar um bordão à sua imagem. Mas ainda dá tempo de mudar o slogan para o ano que vem, quando as campanhas forem oficializadas. Ou até antes. Por enquanto, a 'tempestade cerebral' dos marqueteiros parece ter sido uma 'garoa'. Sim, o Brasil pode “mais”, pode ser “melhor”, mas a criatividade também pode. É só parar e refletir um pouco sobre o plano que cada um tem para o país. Ele existe?    

terça-feira, 21 de maio de 2013

O mundo é muito maior que nosso umbigo, mas não adianta. Bolsa Família é "Bolsa Esmola", "Bolsa Vagabundo"


 Não queria escrever este texto. Em redes sociais, relutei e queria observar de canto a discussão que veio a tona sobre o Bolsa Família. Neste último final de semana, um boato sobre o fim do programa assistencial levou milhares de pessoas a agências da Caixa e Lotéricas para sacar o benefício.

Foi o estopim para o assunto explodir na internet de maneira depreciativa. No Facebook, a tentativa de desviar o olhar de comentários como “Bolsa esmola”, “Bolsa Vagabundo”, me embrulhava o estômago. Assim, comecei o exercício para (des) assinar o ‘feed’ de notícias de algumas pessoas - depois que caí na armadilha de entrar em um debate. Não dá. Nenhum argumento é plausível na ‘defesa’ de um ‘vadio’ que ‘mama nas tetas’ do governo. Caso o faça, não demora cinco minutos para ser chamado de petista. É semelhante à mãe com vários filhos que só beneficia o mais ‘carente’. Isso com o ‘agravante’ de que o outro filho paga pelo necessitado. A revolta impera. Feche os olhos e corra com o mouse para fugir das asneiras.   

Mesmo assim, em um atentado contra a gastrite, e consciente do que iria encontrar, resolvi acompanhar o que se falava nas páginas de grandes jornais no facebook.  Por lá, os comentários dos internautas aprofundavam a discussão para um poço de indignação e raiva. O discurso era claro: “O povo se aproveita deste donativo do governo, fica acomodado e ‘permanece’ na vagabundagem”, escreveu um rapaz apoiado por muitos. E o tema que auxilia quase 14 milhões de pessoas começou a ser ‘esmiuçado’: “as mulheres abrem as pernas só para receber mais bolsa.”, refletiu uma universitária. “E o filho ainda pode virar um ladrão ou assassino”, alertou um senhor que não tive coragem de acessar o perfil. É a máxima neoliberal do peixe, com requintes de preconceito. Se você o quer, vá pescá-lo, vadio. Qualquer pessoa pode ter um futuro bom se trabalhar, correr atrás do pão de cada dia. Só basta querer. Certo?

Alguns mais velhos justificam que começaram do nada, com ‘uma mão em um bolso e outra atrás’, como diz o velho ditado. E através do trabalho conquistaram bens e uma vida próspera. Um argumento como esse, com centenas de ‘likes’, foi aplaudido em pé na rede social. Ovacionado. No entanto, é bom lembrar que as regras do jogo capitalista não são as mesmas que 50 anos atrás. O jornalismo, por exemplo, tem inúmeros casos de quem começou de baixo e cresceu, tornando-se excelente profissional. Hoje, esse é o jornalismo considerado romântico, que não existe mais. Quer ser jornalista? Tenha um diploma. Todas as empresas vão pedir, mesmo sendo artigo desnecessário, segundo o STF. Na indústria, a tecnologia era inferior e não necessitava de tanta qualificação como hoje.  Outros citam poucos casos de pessoas que emergiram na sociedade hoje em dia por conta de seu trabalho e determinação. “Esses” correm atrás de seus objetivos. O 'resto' depende do governo e tem seu voto "comprado" por esses trocados que são pagos pela classe média. São 'pobres coitados', massa de manobra que é enganada pelo governo - que só busca votos. Entretanto, pode-se falar o que quiser sobre políticas populistas porque qualquer uma que seja implantada para favorecer os mais necessitados será taxada de 'compra de votos'. "Esse 'PT' é muito esperto, né", diz um jovem que não tinha idade suficiente para recordar que o primeiro programa assistencialista em âmbito nacional ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Batizado de 'Bolsa Escola', o programa ajudou 4 milhões de pessoas.   

Agora, ao receber como herança um barraco insalubre com um punhado de farinha, passando fome, quero ver esse discurso ser entoado. “Blogueiro hipócrita”, alguém certamente deve bradar. “Você não sabe o que é isso e vem falar a respeito”. Ou chamar este “hipócrita” de “chato” e “burro” por “pagar a conta” destes ociosos. Passado o momento de ‘desqualificação’ deste que vos escreve, quem pode dizer onde existe trabalho para um rapaz analfabeto - que não teve acesso à escola, por conta do trabalho para sobreviver – na região metropolitana de São Paulo? Com trabalhos esporádicos, quando consegue, recebe entre R$ 70 e R$ 150. É possível viver desta maneira? É possível comprar remédios anticoncepcionais ou camisinhas? Como seria para você viver um mês desta maneira? Um ano? Bom, primeiro é necessário sair rapidinho da internet, afinal, a conta no fim do mês saí por volta de R$ 100. E como seria 'escapar' deste fosso que é a falta de qualificação profissional e educacional com renda diminuta, trabalhando, quando possível, 12 horas por dia? O Brasil tem 12,9 milhões de pessoas analfabetas, segundo relatório de 2012 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Porta de saída

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 1,69 milhão de famílias deixaram espontaneamente o programa, alegando que sua renda havia ultrapassado o limite de R$ 140 por pessoa. Estas famílias representam 12% em um universo de 14 milhões de beneficiários. Para aumentar a  desistência, é necessário instaurar um programa de qualificação profissional atrelado ao benefício. Esta é a melhor porta de saída para o Bolsa Família, e já existem diversos casos de cooperativas e associações que fazem a inserção das pessoas no mercado do trabalho.  

Críticos do programa

Após ler este texto, e de me criticar um bocado, aposto que nenhum parágrafo teve a concordância dos  ferrenhos defensores do trabalho. Mas será que não entra na cabeça deles que o beneficiário necessita deste dinheiro para complementar sua renda, para lutar com o mínimo necessário para sobreviver, em busca da saída desta condição de extrema miséria, enraizada no país há séculos? Acho que não.  E começo cada vez mais a entender a reflexão profunda que a professora Marilena Chauí lançou outro dia. A filósofa fez duras críticas à classe média. “A classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”, concluiu. Ao observar algumas discussões a respeito de temas polêmicos como o Bolsa Família, o pensamento de Marilena Chauí faz muito sentido. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Contradições correntes por aí


         Não sou o dono da verdade, pelo contrário, longe disso. Este texto somente faz uma reflexão/análise (sem caráter científico) sobre alguns comportamentos que observo diariamente na internet e no contato pessoal. São modos de agir que contém contradições e preconceitos velados. Veja a seguir:


O sujeito repudia qualquer ação racista perante a sociedade, mas dentro de casa diz que a parede de sua sala não foi bem pintada, portanto, diz que foi um ‘serviço de preto’.

Exige a saída do deputado Marco Feliciano (PSC) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, por conta de suas declarações homofóbicas e racistas, entretanto, em jogos de futebol envolvendo o São Paulo, é ‘bambi’, para cá, ‘viado’ para lá, expressões muitas vezes utilizadas em tom pejorativo.

Afirma de maneira contundente que não participa do processo eleitoral para eleger nossos representantes (afinal alguém tem que fazer esse papel), porém, critica todas as instituições de forma generalizada e a ‘ignorância’ do povo – de que acha não fazer parte pelo seu intelecto desenvolvido. Ora, se foi omisso na escolha, agora reclama?

É o conceito de que tudo é pior no Brasil. Claro que temos graves problemas (de morosa e complicada solução em relação a países da Europa, por exemplo), todavia, para muitos, as dificuldades existem somente por aqui. Só em nosso país temos péssimos políticos que não tem jeito, corrupção, obras paradas, burocracia.    

Voltando, o cidadão aplaude em pé a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) (sem entrar no méritos partidários ou de decisões), contudo, não sabe explicar em que consistiu o ‘Mensalão’, e muito menos a teoria do ‘domínio do fato’, utilizado pelo relator do caso, Joaquim Barbosa para condenar os dois principais petistas envolvidos (Dirceu e Genoíno). 

Em muitos casos, é o mesmo sujeito que lê as manchetes dos principais jornais e as toma como ‘verdades únicas’. Pronto, mais uma opinião formada sem quase nenhuma leitura, sem o natural cruzamento das informações consumidas. É uma espécie de fast-food da notícia, onde se leva um lanche gorduroso, sem guardanapo, para ser inserido rápido em meio ao dia corrido.

Outra fonte de informação fidedigna são as fotos/notícias do facebook, compartilhadas em correntes promovendo a desinformação e o ódio generalizado ao Legislativo e ao Executivo. Maçã boa, maçã podre. Isso tem em todo lugar.

Repudia e xinga infratores no trânsito por pararem em fila dupla, no entanto, se for para buscar o filho na escola, tudo bem. É rapidinho, e por uma causa maior. O mesmo pensamento serve para a vaga destinada a pessoas com necessidades especiais. “Parei somente por uns minutinhos”.

Reclama dos alagamentos nas ruas, em sua casa, mas esquece que aquele lixo no cantinho, ou a série de bitucas de cigarro jogados na rua contribuem e muito para o problema.

Ao ‘bater’ o olho no texto superficialmente, xinga este blogueiro e outros blogs, (isso fora os sites de notícias) com comentários agressivos, que tentam desqualificar o texto de qualquer forma, despejando todo o preconceito velado através da ‘identidade oculta’ que a internet propicia. É o anonimato virtual que exprime o que não se expressa naturalmente na sociedade. 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O ciclista só pede inclusão e respeito


         
        Dentro do Plano de Metas que deverão ser executadas na cidade de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) incluiu os ciclistas e anunciou 400 km de vias para bicicletas. O crescimento do uso das ‘magrelas’ como meio de transporte tornou o tema obrigatório na agenda dos municípios da região metropolitana.

        Na capital paulista, que tem somente 60 Km de ciclovias (fora dos parques), pedalar é uma aventura constante, que exige, além da disposição natural, muita concentração, consciência do espaço ocupado, e técnica.

        No Código Brasileiro de Trânsito, que antes de tudo enaltece a segurança de todos os atores envolvidos no trânsito, a bicicleta é um veículo e compete ao poder público ‘promover o desenvolvimento da circulação e segurança dos ciclistas’, para assim, criar uma infra-estrutura ciclo viária. Mas infelizmente, nada disso é levado a sério. Ou era, espero. O executivo municipal em São Paulo já demonstrou vontade política para mudar essa situação. E os ciclistas, anseiam por esta inclusão. 

         Pedalo constantemente desde 1998, em São Paulo, na zona sul / região central, e a realidade das ruas é dura. Ao ocupar o meio da faixa da direita na rua, o ciclista muitas vezes não é respeitado - sendo pressionado por outros veículos, principalmente em grandes avenidas. Com isso, na ultrapassagem, é normal o motorista passar ‘raspando’ no ciclista, que acaba ‘espremido’ entre a rua e a calçada, ação que gera perigo para uma queda. Com o semáforo verde para o motorista, eis outro dilema para o ciclista em grandes avenidas, assim como pedalar reto em vias com cruzamentos, em que os carros dobram a direita.   

        Na hora do ‘rush’ então, salve-se quem puder! Em meio ao congestionamento, ninguém respeita ninguém dentro da ‘selva de concreto’, e com todos os ‘bichos’ disputando espaço de um lado para outro, de maneira frenética, a corda às vezes estoura para o mais frágil. É uma verdadeira batalha que pune severamente o mais fraco. No ano passado, 52 pessoas morreram pedalando na cidade. Em 2011, foram 49. O empréstimo de bicicletas – que aumentou muito o uso – preocupa ainda mais.  
  
        O investimento da prefeitura nas últimas administrações foi pífio e demonstrou falta de planejamento. Não facilita o percurso do ciclista vias que não se ligam, que não são ‘estratégicas’ para o trajeto. Nesse sentido, o que os ciclistas esperam da gestão Haddad, é a concretização deste plano de 400 km de ciclovias. Medidas paliativas não adiantam. A cidade já possui muitas ‘ciclofaixas’, que são muito interessantes, bacanas, porém, voltadas ao lazer.

        São Paulo necessita de vias permanentes e exclusivas para o veículo do futuro que na verdade, sempre esteve aí, aos olhos de todos, ao alcance de todos. Para complementar a política de mobilidade, o metrô e os trens da CPTM (competência do Governo do Estado) precisam comportar os ciclistas em seu funcionamento normal, todos os dias da semana. Essa mudança dependerá da boa relação da prefeitura com o Estado – lembrando que Haddad não repassará nenhum centavo ao metrô, como fez o seu antecessor, Gilberto Kassab (PSD). Não é uma crítica, apenas mera constatação de um ciclista que já passou por tombos e alegrias entre muitas histórias em cima de uma bicicleta nessa cidade caótica, no entanto, maravilhosa.

Audiências

        A prefeitura de São Paulo está convidando a população a participar das audiências públicas sobre o Programa de Metas 2013/2016 estabelecido por Haddad. As reuniões acontecerão por toda a cidade entre os dias 13 e 20 de abril, nas subprefeituras, com a data de acordo com a região. No dia 30 de abril haverá audiência geral na Câmara Municipal. Confira o calendário no site da ‘Rede Nossa São Paulo’, e leve sua  ciclo-demanda.